Os ataques do Stuxnet, um vírus de computador, a uma usina nuclear no Irã, a sistemas de indústrias fundamentais na China e a uma indústria alemã nas últimas semanas colocaram em alerta especialistas em segurança digital.
O Stuxnet é o primeiro vírus capaz de causar danos no meio físico, o que o torna uma ameaça diferente de tudo o que foi visto anteriormente. A lógica de um vírus basicamente é gerar retorno financeiro. Normalmente ele se espalha rapidamente para capturar informações, senhas bancárias, atacar um site de comércio eletrônico, este vírus não segue esta lógica.
O vírus tem como alvo principal sistemas de controle industriais, que são usados para monitorar e gerenciar usinas de energia elétrica, represas, sistemas de processamento de resíduos e outras operações fundamentais. A partir daí, o malware modifica seus códigos para permitir que os atacantes tomem o controle sem que os operadores percebam. Ou seja, essa ameaça foi criada para permitir que hackers manipulem equipamentos físicos, o que a torna extremamente perigosa.
O que também chama a atenção no Stuxnet é que ele foi desenvolvido para atacar um sistema muito especifico de infra-estrutura, infectando um programa da Siemens que controla instalações industriais fundamentais, se aproveitando de quatro vulnerabilidades do Windows desconhecidas até então.
Até agora, são poucas as pistas sobre a origem dessa ameaça. O que se tem por enquanto são apenas especulações. Especialistas da Symantec estimam que o projeto deve ter sido fabricado por uma equipe de até dez pessoas, em um trabalho que não durou menos de seis meses, levando-se em conta o tipo de código presente no Stuxnet.
Tendo-se em conta que o ataque foi no Irã e na China pode-se acreditar em uma parceria entre os EUA e Israel, mas nada está comprovado.
O Stuxnet é um protótipo em operação de uma arma cibernética que levará à criação de uma nova corrida armamentista no mundo. Na década de 90 tivemos os vandalismos cibernéticos, nos anos 2000, os criminosos e agora podemos estar olhando para o ciberterrorismo (se é que esta palavra existe).