Cabral ao chegar por aqui chamou nossa terra de Terra de Vera Cruz, que era chamada de Pindorama ou Terra de Palmeiras pelos indígenas. Poucos dias depois Cabral mudou o nome para Ilha de Vera Cruz, o nome foi devido ao fato do explorador ser um cavaleiro da Ordem de Cristo e por estar sempre com uma cruz sobre o peito.
Quando do comunicado ao Rei de Portugal o mesmo comunicou o acontecimento a Fernando e Isabel, monarcas da Espanha, chamando a nova terra de Terra de Santa Cruz. Em 1503 em uma carta endereçada a Lorenzo de Médici, Américo Vespúcio batizou a terra nova de “Mundus Novus”. Na mesma época tendo visto a grande quantidade de paraguaios, surgiu o nome popular “Terra dos Papagaios”.
Sobre a árvore alta, grossa e espinhuda, de tronco vermelho e flores amarelas, chamada pelos indígenas de “ibirá pitinga” (árvore vermelha) foi identificada pelos portugueses como a madeira brazil, oriunda da Ásia e conhecida desde o século XII. Existiam registros deste nome na Itália desde o século XI e na Espanha desde o século XII. Marco Pólo falou de “brésil” e Vasco da Gama de “brasyll”. Por uma série de controvérsias (políticas, religiosas, grafológicas) do século XI ao XX existiram 23 formas diferentes de escrever o nome de nosso país (Brasil ou Brazil?).
No início do século XX o historiador Capistrano de Abreu hipotetizou que “Brazil” era originariamente uma ilha mística e paradisíaca localizada próxima a costa da Irlanda. Em 1941 o historiador Gustavo Barroso defendeu a nova hipótese, pois da mesma forma que o frei Vicente do Salvador, ele também detestava a idéia da madeira (pau-brasil) e em segundo lugar era mais digno o nome derivar de uma terra legendária do que um mero produto tropical.
A denominação “brasileiro” também era incômoda, pois era o termo aplicado aos que comerciavam o pau-brasil, sendo um ofício nada superior ao ferreiro ou minerador. Até o final do século XVII era uma ofensa chamar um homem branco de “brasileiro”. Os indígenas nativos eram conhecidos como “brasis”, enquanto que os brancos se consideravam portugueses. Assim um português nascido por aqui era denominado “português do Brasil” ou “luso-americano”, mais na época da independência se difundiram o “brasiliense”, “brasílico” e “brasiliano”.
Mesmo não tendo uma sustentação histórica, a hipótese da ilha medieval, possuía um algo de perfeição no imaginário nacional, pelos textos de Cabral e Vespúcio e os escritos da independência e do romanticismo, chegando até nossos dias. Isto ocorre por nos referirmos ao Brasil por sua suposta natureza paradisíaca, um país grande, rico e bonito. A grandeza natural justificava outra idéia em nosso imaginário, a utopia de grande império, materializada em nome da nova nação (independência em 1822). O Brasil, este que vivemos, seria sempre o país do futuro, como se pensava desde 1941 em um livro de Stefan Zweig.
(base: José Murilo de Carvalho historiador da Universidade Federal do Rio de Janeiro e membro da Academia Brasileira de Letras).
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